16. Fichamento do texto "Teoria do não-objeto"- Ferreira Gular
Um não-objeto, conceito cunhado por Ferreira Gullar para dar nome àquilo que considera geral para as obras neoconcretistas, é caracterizado pelo autor diante por meio de aspectos inseridos ao longo da história da arte. Partindo do impressionismo, Gullar começa a descrever o início da abstração das figuras que antes eram figurativas, quando os artistas passaram a representar coisas sem foco na perfeição formal, seguido pelo cubismo, em que as obras já não tinham mais quase nenhuma semelhança com a forma daquilo que representavam. Contudo, a dimensão fictícia ainda permeava as artes através de molduras e bases, que separavam as obras do mundo real, e, portanto, devendo ser removidas para que percam mais ainda uma dimensão figurativa. Em seguida, o autor passa pelo surrealismo e dadaísmo, movimentos nos quais as artes já tinham seu significado subvertido de sua forma, mas ainda eram objetos. Por fim, se chega ao neoconcretismo, ponto no qual a escultura e a pintura convergem para um ponto comum, tornando-se não-objetos.
Na segunda parte do texto, enfim, o autor define diretamente o que caracteriza o não-objeto. Em primeiro lugar, não faz parte de um movimento artístico, pois, seguindo convenções de algum movimento artístico, se atrela à própria denominação de "arte", o que atribui uma dimensão ficcional, de certa forma representativa. Um não-objeto não deve representar algo que exista, ele deve ter existência própria, de forma a ser invisível aos olhos de quem o vê ou manipula, ou seja, não estar ligado a algum outro símbolo reconhecível. Por isso, também não tem nome, já que o nome nada mais é do que o símbolo para algum objeto. Por não existir no imaginário e por se inserir diretamente na dimensão em que estamos, sem estar separado por uma moldura ou base, o não-objeto existe diante da experiência, ou seja, enquanto alguém o vê, sente ou manipula.
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